O problema é a luz.

Sabe aquele dia que você não entende o porquê, mas as coisas começam a funcionar diferente? Como se uma alavanca no teu cérebro fosse acionada, e teus desejos mudassem assim, em questão de um acordar. Foi nesse dia, numa festa que não daria nada, com gente que não conhecia - e sinceramente nunca fiz questão de conhecer, parada com minhas amigas, uma cerveja na mão e um drink na outra, completamente desligada olhando pro nada, que você veio. Passou por mim uma única vez, olhou pra mim uma única vez, e não precisei de mais que isso. Por algum motivo, teu olhar ficou gravado em mim. Foi o suficiente pra me fazer te procurar. Suficiente pra querer teu sorriso pra mim. Suficiente pra te querer. E as tardes que passamos conversando, vão dando uma razão praquele olhar, pro meu querer. E se não der certo? O problema foi da luz, que permitiu teu olhar no meu.

O amor e seus problemas, puf.

O problema em amar alguém ao estar longe (não longe por distância, mas por estar sem contato) é que é tudo muito fácil. É muito fácil ignorar e viver seus dias com seus amigos, curtir uma festa, encher a cara, rir de qualquer coisa, beijar qualquer pessoa. Fácil ficar mal, chorar, querer a pessoa de volta, querer desistir de tudo; de esperar, da vida, de si, da outra pessoa. A única coisa que não é fácil, é arrumar as coisas. A gente tenta crescer, tenta mudar, sabe? Mas e daí? Você muda de um lado e o outro continua lá: distante, receoso. Não, o maior problema mesmo de se amar alguém é que o AMOR; o verdadeiro, não sua paixonite do primário, é um sentimento tão complexo, tão incontrolável, que é maior que você, maior que suas vontades, maior que sua razão. É quase um indivíduo próprio, com suas vontades e ações. E nessas condições é que começam os problemas. Você erra por coisas que você não erraria em outro momento, mas na hora, cadê a razão? Cadê o bom-senso? Cadê qualquer coisa se não o impulso? Ah, o maldito impulso. Se eu não fosse uma pessoa impulsiva, você ainda estaria aqui do meu lado, sabia? Mas não, se amar fosse fácil não teriamos essa fissura pelo drama, pelo romance, pela arte que só provém de tal sentimento. Ok, sou uma perfeita artista, uma ótima atriz, nota 10 em drama e quase tanto no romance, a troco de quê? Continuo sentindo sua falta. Vou sentir sempre sua falta, até se um dia estiveres ao meu lado novamente. Sempre senti sua falta, desde que te conheci. Se você está do meu lado, sinto falta de um passado mais longo conhecendo-te, um futuro sem limites pra te provar, te sentir, saber cada mínimo detalhe desse ser que tão facilmente me tirou de mim. Você o fez, sabe? Hoje não sou mais minha, sou sua, queira você ou não. Não me sinto completa, não me sinto incompleta, não me sinto, somente. E não consigo controlar essa coisa que me puxa pra perto de ti quando te vejo. Não consigo nem mesmo evitar te ver. Não consigo estar no mesmo lugar que você e simplesmente ir embora, algo me prende. É, talvez você esteja destinado a me aguentar, mesmo não me amando mais. Apesar, que… se acabou realmente o sentimento, não era amor. Infelizmente essa virtude foi somente sua. Não, infelizmente não, estou grata que tenha se livrado da Rainha Drama aqui. Virtude não exatamente, também, pois a Rainha Drama aqui será a única a te amar assim. Mas, o que posso dizer, não? Finais felizes são destinados à livros, à ficção. E à mim, pobre humana, resta somente admirar a verdade, medíocre realidade, o purgatório tão vívido que é viver sem ti.

Não é mais o amor.

É a curiosidade, que mantém essa vontade de estar perto de você. A vontade de saber se algo sobre o menino que amei, ainda existe.

Dream - 06/03/2012.

Ele sumiu. Levado para longe, longe de mim. Não que fossemos próximos, não nos falamos a meses. Mas por uma infeliz coincidencia, nos encontramos em uma situação inflexível: viagem com amigos, onde o contato era inevitável. Por todos, resolvemos ser sociáveis. Se ao menos eu tivesse ficado em casa… doente,  sem dinheiro, tanto faz. O mínimo de reaproximação o levou para longe de mim, de novo. Era considerado um templo subterrâneo séculos atrás, mas hoje é só um buraco bem planejado entre uma praça mal frequentada. Não podia deixar que o levassem. Nos afastarmos foi uma escolha nossa, mas não dessa vez. Eu sabia que ele não poderia se reaproximar de mim, eu sempre o machuquei, sempre o machucaria. Aquelas altas paredes de mármore branco pareciam refletir minha culpa sobre mim. Eles estavam lá, mantendo-o preso, algemas negras em torno de seu pulso, ajoelhado sem expressão em um chão de pedras úmidas. O lugar cheirava a mofo. Não esperavam por mim, não esperavam que fosse ser tão idiota. Não esperavam que eu fizesse o que fiz, tão pouco. Mas era assim que deveria ser feito. Dissipar minha essência, por ele. Tudo sempre por ele. Contanto que ele estivesse bem. Minha última lembrança era de ver minha marca nele, queimando, o chiado como ferro quente sob água fria, o cheiro de carne queimada. A sensação de vazio não veio, porém. Quando o mundo se apagou diante dos meus olhos, tudo que pude sentir era meu sangue pulsando sob minha pele, o calor de realizar algo bom, o amor que sempre senti somente por ele.

Era uma fome, que só se saciava com teu corpo, ofegante e extasiado ao meu lado, e emanava -emana- à simples menção (ou visão) de ti.

“Eu te amo”, ele disse.

Eram tantas. Era eu. Como acreditar? Tamanha ilusão em que me enfiei. Ou seriam as outras, as iludidas? Ou seria ele mesmo? Curiosidade. A forma mais eficiente de acabar com um dia, ou uma noite. Foi na brincadeira de duvidar, que tudo se acabou. Você sabe do que estou falando. Aquela mania de fuçar em todo lugar; de rede sociais a amigos próximos, tentando achar algo que prove que você está sendo um idiota -ou não, algo que prove que dessa vez é sincero, e que não haverá magoas. Mas sempre há algo que decepciona. Algo que machuca. Mesmo que seja algo que passaria despercebido em um momento bom; aquela desconfiança, a pulguinha atrás da orelha, transforma a chuva em um dilúvio, borra a tinta de um quadro até então tão bem pintado. Então, brigas. Ou pior, a falta de diálogo, decisões precipitadas, pontes sobre dúvidas, que desmoronam consigo em cima, caindo em uma espécie de vácuo, onde a angústia não tem fim, e tudo que você quer, todo seu empenho está em construir uma escada; essa real, de fé e esperança, amor, algo que possa fazer tudo ficar bem, algo que te faça voltar no tempo e não cometer os mesmos erros, algo que possa te proporcionar ao menos um dia daquela felicidade genuína; aquela, que você só sentia ao lado de devida pessoa. A estabilidade de um abraço, o prazer de um toque, o formigamento que aquele sorriso causava. Os olhos brilhando, a impressão de estar tão perto da alma, enquanto o corpo parecia uma barreira, deixando todo o lixo fútil alí. Acho que meu problema foi essa limpeza. Era muito lixo. Muitos pensamentos impostos por terceiros, sempre pensando no pior, nunca aproveitando as coisas boas que, aparentemente, eu tinha em mãos. Sinto comentários desnecessários passando pela mente de alguns agora: “ah, muito fácil se arrepender agora que perdeu, porque não deu valor quando tinha em maos?”. Explicando com uma expressão. Não se sabe que ser pobre é ruim até ser, não se dá valor a nada sem experimentar outras condições. Não existe tal coisa. Tudo que você tem para si como bom, foi comparado com outra coisa, aquela que se define como ruim. A mesma coisa funciona como os erros e arrependimentos. São comparações, como tudo na vida. Faz parte da natureza humana não se contentar com um, o básico, uma noção plana. Fazemos nossos relevos para sabermos o que queremos, o que gostamos, pelo que lutamos. Talvez isso explique as nossas ilusões. Incluindo aqueles “eu te amo”. Não os meus. Mantenho-os até hoje, manterei-os por tempo indeterminado. Talvez os seus. Para mim, ou para outras. É duvidoso, no mínimo, o motivo. Não do “eu te amo”. De tudo. Por que nós? Nunca tivemos nada em comum. Ou talvez tivessemos demais. Nunca daríamos certo. Ou talvez, seria perfeito, e perfeição não existe. Mas… se existe sentimento, pra quê reclamar um daqui, um dalí, e nem olhar um na cara do outro? É interessante no mínimo, o receio por todo drama, toda lágrima, todo sofrimento, conflitante com o desejo pelos momentos bons, o sentimento, a paz que tão raramente surgia, somente ao seu lado. Paz aquela quando pensávamos sobre o futuro, tão diferente de como ele acabou se mostrando. Agora até o aniversário da minha amiga parece difícil demais, lembrar sobre o ano anterior, a primeira vez que senti tua mão na minha, ou a sensação de flutuar enquanto teus lábios encontravam o meu, e a sensação confortável de carinho ao descansar minha cabeça em teu peito em sorrisos silenciosos. Como planejar sequer respirar o mesmo dia? A sensação é quase um ultraje, como se uma memória longe de ti quisesse substituir a outra. Como se não existisse outro Vinte de Maio, depois daquele. Porém, o tempo vai correndo, as portas, se fechando, e a esperança de que um dia você vá estar em meu caminho novamente, parecem cada vez mais uma fábula.

(Source: slipknotfeed)